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Fotografia e Cidade:São Paulo na Década de 1930  

Di Cavalcanti, uma história pré-mulatas 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
Madeira-Mamoré: retratos de uma história coberta pelo mato 
         O Museu Paulista, da Universidade de São Paulo, adquiriu e organizou os negativos que restaram da produção do fotógrafo Dana B.Merril.  
      Saiba mais sobre a trágica história da Ferrovia Madeira-Mamoré, que este acervo  vem melhor documentar.   
 
   
            "Trem Fantasma". Foi este o título feliz que o historiador Francisco Foot Hartmann escolheu para seu livro, que trata da impressionante história da construção da ferrovia Madeira-Mamoré, entre os anos de 1907 e 1912. 

            Visando  aproximar as regiões produtoras de látex, em pleno auge da comercialização internacional da borracha, o projeto atendia  também aos desejos das autoridades preocupadas com a ocupação da Amazônia. Houve algumas tentativas ainda no século XIX, que fracassaram por falta de verba, infra-estrutura técnica e hesitação frente às difíceis condições da caracterização ambiental da região (chuvas e cheias dos rios, vegetação densa, variedade das doenças tropicais).  

             Em 1907, a empreitada foi iniciada, contando com a experiência da companhia americana May, Jekyll & Randolph, que já havia produzido projetos semelhantes em Cuba e na Guatemala.  Para  construir  cerca  de  364 km  de   estrada-de-ferro,  foram arregimentados  perto  de 30  mil  homens, das  mais     diversas nacionalidades  e   de  inúmeras  regiões   do  Brasil.  Muitos abandonavam a viagem no caminho, ao ouvirem os rumores sobre as condições de vida na região do rio Madeira.  

A aliança entre médicos e sanitaristas, para tentar frear as incessantes epidemias, e o esquema rígido de controle de disciplina e submissão dos trabalhadores, foram indispensáveis para que a construçãochegasse ao seu final. 
         Calcula-se que o número de mortos ao longo do processo tenha chegado aos 6 mil. Reza a lenda que ele é o mesmo número de dormentes que foram fixados para assentar os trilhos. Os dormentes, aliás, importados da Austrália. 

          Esforços e mortos à parte, quando ficou pronta a ferrovia, em 1912, o Brasil havia ficado para trás no mercado mundial da borracha.   A   Inglaterra,   nos   primeiros    anos  do  século, preocupou-se em plantar, sistematicamente, seringais no Ceilão (atual Sri Lanka), que dominava como colônia.  Se a borracha seguia sendo um produto de evidente importância para a difusão de inúmeros produtos industriais e para o próprio funcionamento das fábricas, ter acesso ao látex deixou de ser um problema. O preço  da    borracha   desabou,  assim  como  o  interesse  pela Madeira-Mamoré. 

           A rodovia Cuiabá - Porto Velho foi inaugurada em 1960 pelo presidente Juscelino Kubitschek, como mais uma iniciativa de privilégio para o transporte rodoviário no país. A partir de então, a Madeira-Mamoré  foi  sofrendo  um  processo  de  abandono   e sucateamento, sendo completamente desativada em 1972. Seus arquivos foram incinerados. 

           A aquisição e organização dos 189 negativos restantes  acervo de 2.000 do fotógrafo Dana B. Merril, que registrou esta história, entre 1909 e 1912, da qual remanesceram apenas tênues traços, representa nova oportunidade reavivar a pesquisa sobre o tema, o que já está sendo feito pelo próprio Museu Paulista, que prepara uma   exposição   para  o  início do próximo   ano. Sugere também a possibilidade de encaminhar diversos outros estudos, integrados com todo o atual debate referente à ocupação da Amazônia. 
 

Instituição: Museu Paulista  
Diretor: Prof. Dr. José Sebastião Witter 
Apoio: BNDS  
Curadoria da Coleção: Solange Ferraz de Lima e Vania Carneiro de Carvalho  
Curadoria do Projeto: Manoel Rodrigues Ferreira, Pedro Ribeiro e Silvia Maria do Espírito Santo
 Livros sobre o Tema:
Francisco Foot Hartmann - Trem Fantasma: a Modernidade na selva, São Paulo, Companhia das Letras, 1988 
Idem - Os negativos da História: a Ferrovia Fantasma e o Fotógrafo Cronista 
Márcio de Souza - Mad Maria (romance) 
Marcos Santilli - Madeira-Mamoré (ensaio fotográfico) 
 
  
 
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 10 de agosto de 1999