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II Guerra
Mundial

O Rei no
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A Monarquia Portuguesa e
a Colonização
da América

O Caleidoscópio 
da Modernização: discutindo a
atuação de
Monteiro Lobato
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 
 

A “Outra” América
A América Latina na visão de Intelectuais Brasileiros nas Primeiras Décadas Republicanas

    América Latina. Esta denominação, usada com naturalidade atualmente, traz consigo uma longa história de conflitos em sua definição. O Brasil, único país de língua portuguesa pertencente a este conjunto, perguntou-se muitas vezes sobre as semelhanças e diferenças de projetos nacionais em relação aos seus vizinhos. 

 

     Afinal, o Brasil é ou não é parte da América Latina? 
     Esta ambigüidade ao longo da história é analisada por Kátia Gerab Baggio, em sua tese de doutorado.
     A partir da análise da obra de intelectuais brasileiros como Joaquim Nabuco, José Veríssimo, Eduardo Prado, Oliveira Lima, Euclides da Cunha e Manoel Bonfim, entre outros, produzidas entre a proclamação da República e a década de 20, ela observa as convergências e divergências dos projetos dos países que compartilham esta mesma definição geopolítica.
 
       O passado colonial delineou semelhanças pelas trajetórias paralelas: colonização ibérica, população formada pela miscigenação de povos, proximidade dos períodos de independência, forte ingerência inglesa e posteriormente norte-americana nos caminhos político-econômicos. 
   Por outro lado, as diferenças sempre existiram: modelo de  administração  colonial,  processo  de  emancipação, manutenção  da  monarquia  de  Bragança e da unidade territorial  após  a independência , processo tardio de formação da República no Brasil.

  Nas iniciativas de definir-se uma identidade nacional brasileira após a independência, o artifício de comparação com os países vizinhos era freqüentemente usado, louvando a “ordem e unidade” do Império, em face à “anarquia e fragmentação” das Repúblicas vizinhas. Mas no final do século XIX também o Brasil adota o regime republicano, o que estimulou a necessidade de repensar o discurso do período imperial.

   Os intelectuais brasileiros respondiam não só às transformações internas com o advento da República como também ao movimento evidente dos Estados Unidos da América que buscavam a ampliação de sua esfera de influência através do Pan-americanismo.  Este  surgiu  no  ano  de 1889,  quando  aconteceu em Washington a Primeira Conferência Internacional Americana, que mesmo antes de começar já ganhara o codinome “Pan-americana” na imprensa. A iniciativa era do secretário de estado norte-americano James G. Blaine, com claras intenções de criar vínculos comerciais mais estreitos com o crescente mercado consumidor representado pelos outros países da América. Era a aplicação prática de ideiais que já vinham sendo difundidos desde o surgimento da doutrina Monroe, na presidência de James Monroe, em 1823, que pedia uma "América para os americanos".
 
O Barão de Rio Branco, figura central nas mediações diplomáticas das primeiras décadas republicanas, teve papel de grande importância na aproximação com os Estados Unidos, antecipando a ascensão política que este país teria mundialmente no século XX. Foi em Washington, em 1905, que o Brasil estabeleceu sua primeira embaixada, tendo à frente Joaquim Nabuco, que substituiu seus sentimentos monarquistas pela simpatia ao Pan-americanismo.

 O embate que se dava nos marcos intelectuais brasileiros passava pela admiração do modelo americano, visto como modelo de civilização a ser apropriado para o Brasil, ou a completa negação destes valores, visto como afirmação do individualismo, da submissão a uma cultura completamente estranha às raízes brasileiras, da aceitação de um projeto de dominação francamente imperialista.

  O trabalho de Kátia Gerab Baggio contribui, assim, para nos guiar pelos caminhos da construção da identidade brasileira no que diz respeito a esta relação com as demais nações da América. O período analisado é de importância fundamental para a compreensão deste tema.
 



 
 Autor: Kátia Gerab Baggio
Instituição: Departamento de História -FFLCH-USP
Orientação: Prof.Dr. Maria Lígia Coelho Prado
Apoio: Capes


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24 de novembro de 1999.